DJ MAM COM A BENÇÃO DOS ORIXÁS
Ogum, Iansã, Yemanjá e Oxalá fazem parte de seu repertório
Após homenagear Yemanjá, para dois milhões de pessoas no Réveillon de Copacabana em 2007, o DJ MAM vai apresentar-se no evento que comemora os cem anos de Umbanda na Fundição Progresso, na Lapa, no sábado, dia 30 de novembro. A festa terá shows de Arlindo Cruz, Velha Guarda da Mocidade Independente de Padre Miguel, Da Gama, além de apresentações culturais de Capoeira, Jongo e Afoxé. O evento acontece na mesma semana em que ele participou do show de Manoel Francisco em homenagem a Dorival Caymmi, que tantas vezes reverenciou os orixás em sua obra. O show no Antonieta, em Copacabana, teve direção de Nana Caymmi, e participação da atriz Patricia França.
Em sua obra, o DJ MAM mostra suas referências em artistas como Dorival Caymmi, Vinicius de Moraes, Baden Powell, Clara Nunes, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mara Betânia e Martinho da Vila, exaltando a cultura afro-brasileira. Em todos os seus projetos artísticos e em sua carreira solo, o DJ abre espaço reservado para sua a música de sua religião, o Candomblé, que é base para diversos estilos musicais de nossa cultura como o afoxé, o ijexá e o samba-se-roda.
Criado em sua primeira infância, ao lado de um terreiro de Umbanda na Penha, Marco Aurélio Marinho, MAM, começou muito cedo a ter contato com os batuques e cantos ancestrais. Em sua vida, tem muito presente a memória os fogos da festa de São Jorge, que no sincretismo com a Umbanda é Ogum e no candomblé é Oxossi, o orixá de sua casa, que é filial no Rio de Janeiro da casa soteropolitana Gantois.
Em sua carreira artística, o DJ teve consigo seus orixás desde o inicio, na primeira música em que produziu com o nome artístico MAM. A faixa “Metalounge”, do CD Brazilian Lounge (Sony Music 2002), traz a homenagem a seu orixá Ogum. A música é um diálogo entre os planos físico e metafísico, usando “samples” do cotidiano da produção do disco para representar o plano físico e toques de candomblé, feitos por um Ogan, com orações em Yorubá, representando o plano metafísico. “A faixa foi escolhida para abrir o disco porque Ogum é o primeiro orixá a entrar no Xirê (roda de candomblé). Em suas apresentações, a Brazilian Lounge fazia sempre uma homenagem a Yemanjá através de “samples” inseridos na música “A Praia”, de autoria da própria banda.
No mmc, seu encontro com Carlos Malta e Marcos Suzano, MAM prestou sua reverência a seu segundo orixá, que é Iansã, com a música “Dobrado do Oyá”. E também a Yemanjá, na releitura feita para “Rainha do Mar”, de Carlos Malta.
Em seu projeto Sotaque Carregado, o artista fez uma releitura para “Deixa a Gira Girar” do grupo os Tincoãs, que é referência ao compositor Carlinhos Brown. Em seu novo CD, que está para ser lançado, como não poderia deixar de ser, a religião tem espaço na faixa “Oxalá Novo”, parceria com Rita Ribeiro, cantora e idealizadora do projeto Tecnomacumba.
“Eu e Rita, produzimos uma releitura de “Canto pra Oxalá”, de domínio público. Curiosamente, “Canto pra Oxalá” foi dada pela Mãe Menininha do Gantois ao grupo Afoxé Filhos de Ghandi, da qual era madrinha, quando este foi fundado, em 1948. Na nossa música “Oxalá Novo”, aproximei, através de “samples’, a mãe Menininha e os seus afilhados, Filhos de Gandhi”, comenta MAM, que só soube dessa relação da Mãe de Santo mais famosa do Brasil, após uma revelação dentro do próprio Gantois, depois que a música estava pronta.
O DJ garante que o disco ainda ganhará mais elementos da religião. Em recente visita ao candomblé Gantois, na cerimônia Águas de Oxalá, o artista iniciou uma parceria com Yomar Assogba, Ogan mais antigo da casa e que foi quem contou a MAM que “Canto para Oxalá” havia sido presente de Mãe Menininha para o Filhos de Ganhdi. Desse encontro, a parceria entre O DJ e o Ogan, que é um alabê, “tocador de atabaque”, já gerou duas novas músicas, uma delas em homenagem a atual Ialorixá, Mãe Carmen, filha mais nova de Mãe Menininha do Gantois.







